Dicas Práticas 22/06/2026 Equipe Hidroimagem

Análise de água de poço artesiano: quais exames pedir e quando refazer

A água do seu poço pode parecer perfeita — límpida, sem cheiro, sem sabor estranho — e ainda assim conter bactérias, nitratos ou metais pesados invisíveis a olho nu. A única forma de ter certeza é por meio de análise laboratorial. A Equipe Hidroimagem explica quais exames pedir, quando refazer e em quais normas se basear.

Por que a análise é indispensável

Águas subterrâneas são naturalmente protegidas, mas não são imunes. Fossas sépticas, depósitos de agrotóxicos, cemitérios e até a falta de cimentação adequada no poço são rotas de contaminação. A Portaria GM/MS nº 888/2021 do Ministério da Saúde define os padrões de potabilidade no Brasil e se aplica a qualquer fonte coletiva — inclusive poços particulares usados por funcionários, comunidades rurais ou indústrias.

Quais análises solicitar

1. Análise microbiológica

  • Coliformes totais e Escherichia coli: indicam contaminação fecal e risco direto à saúde. A Portaria 888/2021 exige ausência em 100 mL para água potável.

2. Análise físico-química básica

  • pH: influencia corrosão de tubulações e sabor.
  • Turbidez e cor aparente: sinalizam partículas em suspensão ou matéria orgânica.
  • Dureza total: causa incrustações em caldeiras, chuveiros e sistemas de irrigação.
  • Ferro e manganês: comuns em aquíferos sedimentares; geram manchas, odor e problemas industriais.
  • Fluoreto: parâmetro obrigatório para consumo humano.
  • Nitratos e nitritos: indicadores clássicos de contaminação por fertilizantes ou esgoto — especialmente críticos em áreas rurais.

3. Análises complementares por finalidade de uso

  • Irrigação agrícola: sódio, cloretos, razão de adsorção de sódio (RAS) e pesticidas da região.
  • Uso industrial: sílica, sulfatos, metais pesados (cromo, chumbo, arsênio) e sólidos totais dissolvidos (STD).
  • Consumo humano ampliado: trihalometanos, agrotóxicos e radionuclídeos, conforme o Plano de Amostragem da Portaria 888/2021.

Com que frequência refazer a análise

A frequência mínima recomendada varia conforme o uso e a legislação aplicável:

  • Ao perfurar ou reativar o poço: análise completa antes de qualquer uso.
  • Anualmente: bacteriológica + físico-química básica como monitoramento preventivo.
  • Após manutenção, limpeza ou desinfecção: nova bacteriológica para confirmar a segurança.
  • Após eventos extremos (enchentes, seca prolongada, contaminação na vizinhança): análise imediata.
  • Para outorga estadual: a maioria dos órgãos gestores (SP Águas, IGAM-MG, SEMA-RS) exige laudo com no máximo 12 meses de validade.

Como o estado do poço interfere na qualidade da água

Um poço bem construído protege o aquífero; um poço deteriorado é porta aberta para contaminação. Revestimento trincado, cimentação deficiente e filtros colmatados são fatores de risco que só a perfilagem geofísica é capaz de identificar com precisão — antes que a qualidade da água seja comprometida. Cruzar os resultados da análise química com as curvas geofísicas permite descobrir de onde vem o problema, não apenas se ele existe.

Onde mandar analisar

Use sempre laboratórios acreditados pelo INMETRO na Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde (REBLAS) ou credenciados pela Vigilância Sanitária estadual. A coleta deve seguir a ABNT NBR 15847 — norma de amostragem de água subterrânea em poços — para garantir resultado confiável e juridicamente válido.

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