Dicas Práticas 16/10/2026 Equipe Hidroimagem 23 visualizações

Filmagem de poço na documentação e na outorga: o que a SP Águas e o IGAM pedem e onde a câmera entra

Todo poço tubular precisa de documentos para ser regularizado: o desenho de como ele foi construído, a sequência de rochas que atravessa, o ensaio que mostra quanta água ele produz. Em poço novo, isso sai da própria perfuração. Em poço antigo, perfurado há 15 ou 30 anos, o papel muitas vezes não existe mais. É aí que a filmagem do poço entra no processo de outorga, e os dois estados onde a Hidroimagem mais atua tratam disso de formas diferentes.

Os documentos que o poço precisa ter

Em qualquer estado, o processo de outorga de água subterrânea gira em torno de três coisas:

  • Perfil construtivo: profundidade total, diâmetros, onde está o revestimento, onde estão os filtros e onde o tubo termina.
  • Perfil litológico: as camadas de solo e rocha que o poço atravessa, metro a metro.
  • Ensaio de bombeamento: a vazão que o poço sustenta e como o nível da água se recupera.

Tudo isso assinado por profissional habilitado, com ART. O problema aparece quando o poço é antigo e nada disso foi guardado.

São Paulo: a SP Águas pode pedir a perfilagem ótica

Em São Paulo, a outorga é da SP Águas (antigo DAEE). A norma que detalha as exigências para poços é a Instrução Técnica DR nº 10, de 2017, atualizada em abril de 2024. Ela diz que o poço deve ter projeto construtivo, relatório técnico final "incluindo os perfis litológico e construtivo" e os ensaios de vazão e de recuperação. Esses documentos ficam com o usuário, que os apresenta nas fiscalizações ou quando o órgão pedir.

E a norma já prevê o que acontece quando eles não existem. O item 6, alínea "h", diz textualmente:

"Na ausência das informações previstas no item anterior, o DAEE, quando da realização de avaliações de interferências ou para ações de fiscalização, poderá solicitar ao usuário o resultado de uma perfilagem ótica para verificação da coluna de revestimento do poço e das variações litológicas que possibilitem a correlação com poços vizinhos."

Ou seja: em São Paulo, a filmagem do poço é reconhecida pela própria norma como o meio de verificar a coluna de revestimento e as variações de rocha quando o poço não tem documentação. A mesma instrução determina que, para poços já existentes, os ensaios de vazão sejam atualizados, e que a desativação definitiva de um poço seja feita com o tamponamento de toda a coluna perfurada, o que pede saber antes como o poço está por dentro.

Minas Gerais: o IGAM exige o perfil, inclusive do poço antigo

Em Minas, a outorga é do IGAM. O termo de referência para poço tubular já existente (TR Código 08) lista, no relatório técnico, os perfis litológico e construtivo do poço, o ensaio de bombeamento com recuperação e o teste de interferência com os poços num raio de 200 metros. O Decreto 47.705/2019 determina que a análise do pedido considere "a documentação construtiva do poço".

A exigência não vale só para poço novo. Ao atualizar as regras de água subterrânea em 2024, o IGAM informou que os perfis litológico e construtivo "devem ser apresentados também para os poços antigos", no contexto do cadastro de uso insignificante.

Diferente de São Paulo, as normas de Minas não citam a filmagem. Elas pedem o resultado, o perfil, sem dizer como obtê-lo. Para o poço antigo sem documento, a filmagem é o caminho técnico para reconstituir esse perfil sem perfurar de novo.

O que a filmagem entrega para o processo

  • Perfil construtivo medido: a câmera desce com a profundidade na tela e registra cada emenda, o início e o fim de cada filtro, as reduções de diâmetro, o nível da água e o fundo. O laudo transforma isso num desenho em escala.
  • Litologia nos trechos sem revestimento: onde o furo segue direto na rocha, a câmera mostra a própria rocha: basalto, arenito, fraturas, contatos entre camadas.
  • Rocha atrás do tubo: onde há revestimento, entra a perfilagem de raios gama, que lê as camadas através do PVC ou do aço. O resultado é um perfil litológico interpretado, e o laudo diz o que foi visto e o que foi inferido.
  • Estado real do poço: filtro colmatado, rompimento, incrustação, areia no fundo. Vale para a outorga e para decidir a manutenção.
  • Conferência antes de tamponar: a profundidade real e a condição da coluna, para o projeto de tamponamento.

O que a filmagem não substitui

  • O ensaio de bombeamento: é outro serviço, exigido nos dois estados.
  • A análise de água em laboratório.
  • O relatório técnico e a ART do responsável pelo processo: o laudo da filmagem é a base técnica que esse profissional utiliza.
  • A visão atrás do tubo: a câmera não vê cimentação, pré-filtro nem a rocha revestida; ali o dado vem da geofísica.
  • Quem aprova o processo é o órgão gestor. O laudo não garante a outorga; ele resolve a falta de informação que trava o pedido.

Como a Hidroimagem atende os dois estados

A Hidroimagem fica em Araraquara-SP e faz filmagem e perfilagem geofísica de poços desde 1989, em todo o Brasil. Em São Paulo, a filmagem para documentação e outorga é rotina há anos. Em Minas Gerais, a empresa já atende consultorias e perfuradoras que regularizam os poços de seus clientes no IGAM e precisam reconstituir o perfil de poços antigos. Como a Hidroimagem não perfura poços, ela trabalha como fornecedora técnica dessas empresas, sem concorrer com elas.

O laudo entregue inclui o vídeo integral, os fotogramas com a profundidade de cada ocorrência, o perfil construtivo em escala e um código de verificação de autenticidade. Quando o poço tem trecho revestido e o processo pede litologia, a perfilagem de raios gama é feita na mesma visita.

Perguntas frequentes

A filmagem do poço é obrigatória para a outorga?

Em São Paulo, a norma prevê que o órgão pode solicitá-la quando o poço não tem o relatório técnico com os perfis. Em Minas, as normas não citam a filmagem: exigem o perfil litológico e construtivo, e a filmagem é a forma de obtê-lo em poço sem documentação.

Poço antigo sem nenhum documento consegue outorga?

Consegue, desde que o processo seja montado por responsável técnico com os dados que os órgãos pedem. A filmagem e a geofísica reconstituem o perfil construtivo e o litológico; o ensaio de bombeamento e a análise de água completam o conjunto.

Se eu tenho o relatório do perfurador, preciso filmar?

Se ele traz os perfis e os ensaios, talvez não. A filmagem faz sentido quando os documentos não existem, quando há dúvida se o poço está como o papel diz, ou quando o órgão pede.

Em poço com tubo, como se sabe que rocha está por trás?

Pela perfilagem de raios gama, que lê as camadas através do revestimento. O laudo informa que esse trecho foi interpretado, não visto.

Vocês atendem Minas Gerais?

Sim. A Hidroimagem atende todo o Brasil a partir de Araraquara-SP, e Minas Gerais já faz parte da rotina de trabalho.

Cada poço é um caso. Se o seu processo travou na falta do perfil do poço, converse com o seu responsável técnico ou com a nossa equipe.

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